Engraçado, fui procurar entre uns cadernos velhos, meio abandonados que tenho aqui (a imensa maioria escritos só até a metade), um que tivesse espaço suficiente para eu escrever uma carta na qual estou trabalhando.
Descartei os que uso para fichar texto, aquele em que anotava supervisões de estágio, e um especial em que anoto poemas e roteiros de HQ. Daí pintou um amarelinho. Fui rever o que estava escrito, e era uma espécie de "diário do luto", que eu escrevia quando terminei meu relacionamento.
É curioso como, lendo aquelas coisas que eu escrevi já há quase quatro meses atrás (parece tanto mais) eu me revi naqueles momentos, sofrendo aquelas palavras. Querendo aquilo que eu queria: me dar conta, de repente, de que tudo aquilo não passava de um sonho ruim, que tudo ia voltar aos eixos quando eu menos esperasse.
Entretanto, mais curioso foi sentir que eu lia aquilo como quem lê um romance. Uma história inventada, com a qual a gente até se identifica, mas no máximo diz: "Parece com a minha própria vida, mas só parece".
Diz o ditado: "não há bem que sempre dure e não há mal que não se acabe". Se a segunda parte do ditado mostrou-se certa, e aquele sofrimento todo de alguns meses hoje não passa de um dolorido, de uma topada que se dá no móvel da sala (que só dói quando a gente lembra ou passa a mão), espero que, contra as expectativas, a primeira parte se mostre falha, e o bem que hoje vivo, sempre dure.
Daí virei a página, olhei no relógio e disse pra mim mesmo: ainda tenho tempo para escrever aquela carta...

1 Participações externas:
Não sei porque [na verdade sei] fico feliz quando leio seus últimos textos... Nos quais posso perceber uma felicidade incontida... É... acho que é por isso que também fico feliz! ;)
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