Eu não queria falar. Fiquei tempos sem escrever pra poder voltar falando justamente de política. Mas não dá. Fazendo uma pausa no meu projeto, bora falar um cadinho de política porque a coisa está feia!
Usturdia comentei no Twitter que, desde a primeira vez que o Lula foi eleito, eu nunca mais votei em ninguém com convicção, com esperança de ver alguma coisa acontecer. E realmente é fato e verdade: tenho achado a política algo entre o deprimente e o constrangedor. E nem falo da obviedade de um Tiririca candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo (e com vistas de não só ser eleito, mas sê-lo como um dos mais votados do estado), porque isso já aconteceu nas eleições passadas, quando os paulistanos mandaram Frank Aguiar e Clodovil Hernandes à câmara federal com uma imensidão de votos. Falo de uma coisa mais profunda, e mesmo anterior ao esculacho do autor de "Florentina, Florentina" indo para Brasília, na forma de um Cacareco realmente elegível. Eu quero saber é: qual a razão da política? Por que alguém se candidata a alguma coisa?
Vou tomar o palhaço Tiririca como exemplo, só pela exposição que o figura vem tendo. Em sua propaganda, ele afirma ca-te-go-ri-ca-men-te que não sabe o que faz um deputado federal. E que quer ser eleito para ajudar aos mais necessitados e à própria família. Como pode ajudar aos mais necessitados se esse nosso Macaco Tião moderno sequer sabe o que um deputado federal faz? Por que, e essa é a grande pergunta, por que o senhor Francisco Everardo Oliveira Silva achou que deveria concorrer a deputado federal?
Provavelmente, as razões passam pelo fato de ele ter chances reais de se eleger, seja para o que for, porque é uma "celebridade" (Tião e Cacareco também são). E, podendo se eleger, podendo receber uma quantia substanciosa de dinheiro mensalmente, sem muito esforço e sabendo que basta ficar quieto, não se meter em trambique para ser reeleito e passar uma vida quase mamando dessa teta, podem ser razões presentes à sua candidatura. "Mas um deputado federal deve ter obrigações, né?". Deve. Mas são tão pouco importantes que nem faz diferença sabê-las!
Vamos mudar um pouco o alvo: há um vídeo do candidato ao senado por Minas Gerais, Zito Vieira (PCdoB), em que ele pontua a discrepância entre o que se paga aos professores estaduais pelo governo Aécio/Anastasia e o que, essa mesma pareja, paga aos panfleteiros de campanha. A verdade, dura e triste, é que um panfleteiro ganha mais do que um professor da rede pública.
Longe de mim defender o candidato Zito: não conheço suas propostas, não conheço sua trajetória política. Quero concentrar no outro ponto: o governador Anastasia careceria de tanto investimento em propaganda se tivesse feito um bom governo? Mudo outra vez: mais vale ganhar a eleição do que exercer o mandato em prol das pessoas? Eleição é um jogo de ganhar e perder? Se é, já digo de cara: quem perde SEMPRE é o povo. Sempre.
Não pode ser assim! Um sujeito deveria se lançar em candidatura por ter algo a oferecer, por querer fazer um estado, um país melhor para si mesmo e para os seus (conhecidos ou não) viverem. Se todos fossem assim, escolheríamos aquele cujas propostas nos atendem mais a contento, ou que parece mais preparado para levar adiante o que se propõe. E, se o nosso candidato perdesse, nem seria assim uma perda tão grande, porque saberíamos que, tal qual o derrotado, o vitorioso também estava comprometido em dar uma vida melhor às pessoas, em governá-las, diferente de viver às custas delas.
Seria um mundo ideal, uma utopia? Sim. Mas pode ser diferente. Porque quem vota somos nós. Que tal se de repente a gente deixasse de votar em quem "eu acho que vai ganhar", para não "perder" meu voto, e votasse em quem eu gostaria que ganhasse? Esqueça as pesquisas IBOPE, DataFolha, o diabo de rodinha. O cidadão que você quer ver eleito sequer aparece nas pesquisas? Tem menos intenções de voto do que os brancos e nulos? Será que isso não acontece porque um monte de gente, como você, decidiu mudar o voto por causa disso? Não mude o voto: mude a mentalidade. E o voto muda!
Pra que votamos em quem votamos?


1 Participações externas:
parece que tu entrou (ui) em minha cabeça e tirou o que eu penso sobre política de lá...
estou cada vez mais cético e rabugento para política...
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