17 Setembro, 2010

Tirem os palhaços da sala: um breve texto sobre as eleições

Eu não queria falar. Fiquei tempos sem escrever pra poder voltar falando justamente de política. Mas não dá. Fazendo uma pausa no meu projeto, bora falar um cadinho de política porque a coisa está feia!


Usturdia comentei no Twitter que, desde a primeira vez que o Lula foi eleito, eu nunca mais votei em ninguém com convicção, com esperança de ver alguma coisa acontecer. E realmente é fato e verdade: tenho achado a política algo entre o deprimente e o constrangedor. E nem falo da obviedade de um Tiririca candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo (e com vistas de não só ser eleito, mas sê-lo como um dos mais votados do estado), porque isso já aconteceu nas eleições passadas, quando os paulistanos mandaram Frank Aguiar e Clodovil Hernandes à câmara federal com uma imensidão de votos. Falo de uma coisa mais profunda, e mesmo anterior ao esculacho do autor de "Florentina, Florentina" indo para Brasília, na forma de um Cacareco realmente elegível. Eu quero saber é: qual a razão da política? Por que alguém se candidata a alguma coisa?

Vou tomar o palhaço Tiririca como exemplo, só pela exposição que o figura vem tendo. Em sua propaganda, ele afirma ca-te-go-ri-ca-men-te que não sabe o que faz um deputado federal. E que quer ser eleito para ajudar aos mais necessitados e à própria família. Como pode ajudar aos mais necessitados se esse nosso Macaco Tião moderno sequer sabe o que um deputado federal faz? Por que, e essa é a grande pergunta, por que o senhor Francisco Everardo Oliveira Silva achou que deveria concorrer a deputado federal?
Provavelmente, as razões passam pelo fato de ele ter chances reais de se eleger, seja para o que for, porque é uma "celebridade" (Tião e Cacareco também são). E, podendo se eleger, podendo receber uma quantia substanciosa de dinheiro mensalmente, sem muito esforço e sabendo que basta ficar quieto, não se meter em trambique para ser reeleito e passar uma vida quase mamando dessa teta, podem ser razões presentes à sua candidatura. "Mas um deputado federal deve ter obrigações, né?". Deve. Mas são tão pouco importantes que nem faz diferença sabê-las!

Vamos mudar um pouco o alvo: há um vídeo do candidato ao senado por Minas Gerais, Zito Vieira (PCdoB), em que ele pontua a discrepância entre o que se paga aos professores estaduais pelo governo Aécio/Anastasia e o que, essa mesma pareja, paga aos panfleteiros de campanha. A verdade, dura e triste, é que um panfleteiro ganha mais do que um professor da rede pública.
Longe de mim defender o candidato Zito: não conheço suas propostas, não conheço sua trajetória política. Quero concentrar no outro ponto: o governador Anastasia careceria de tanto investimento em propaganda se tivesse feito um bom governo? Mudo outra vez: mais vale ganhar a eleição do que exercer o mandato em prol das pessoas? Eleição é um jogo de ganhar e perder? Se é, já digo de cara: quem perde SEMPRE é o povo. Sempre.
Não pode ser assim! Um sujeito deveria se lançar em candidatura por ter algo a oferecer, por querer fazer um estado, um país melhor para si mesmo e para os seus (conhecidos ou não) viverem. Se todos fossem assim, escolheríamos aquele cujas propostas nos atendem mais a contento, ou que parece mais preparado para levar adiante o que se propõe. E, se o nosso candidato perdesse, nem seria assim uma perda tão grande, porque saberíamos que, tal qual o derrotado, o vitorioso também estava comprometido em dar uma vida melhor às pessoas, em governá-las, diferente de viver às custas delas.
Seria um mundo ideal, uma utopia? Sim. Mas pode ser diferente. Porque quem vota somos nós. Que tal se de repente a gente deixasse de votar em quem "eu acho que vai ganhar", para não "perder" meu voto, e votasse em quem eu gostaria que ganhasse? Esqueça as pesquisas IBOPE, DataFolha, o diabo de rodinha. O cidadão que você quer ver eleito sequer aparece nas pesquisas? Tem menos intenções de voto do que os brancos e nulos? Será que isso não acontece porque um monte de gente, como você, decidiu mudar o voto por causa disso? Não mude o voto: mude a mentalidade. E o voto muda!

Pra que votamos em quem votamos?
Fica a pergunta...

1 Participações externas:

rbmatos disse...

parece que tu entrou (ui) em minha cabeça e tirou o que eu penso sobre política de lá...

estou cada vez mais cético e rabugento para política...